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Estamos no início dos anos 90 e a madrugada de sábado está apenas começando. Você ainda é um adolescente, sem dinheiro e sem poder sair, porque… bem, porque nessa época a gente não podia ficar até tarde na rua. Internet não é uma opção de diversão, ela ainda nem existe. São poucos os que tem um computador em casa, ou até mesmo um vídeo cassete. Só te restava tentar ficar acordado o máximo possível vendo televisão e torcendo para algum canal passar um filme descente. E é nesse momento que sua mente dá um estalo e vem a lembrança “HOJE É DIA DE CINE BAND PRIVÉ!”. Como um cavalo correndo para a liberdade, você troca de canal e fica esperando ela, sua primeira paixão: EMMANUELLE!

Se você se identificou com o paragrafo acima, parabéns! Estamos conectados pelo sentimento de saudosismo. Eu sei, é estranho sentir saudades dessa época, mas tente pensar pelo lado bom: você, eu e todos que tem entre 25 e 40 anos, compartilhamos nosso primeiro amor. Então por quê não relembrar, e até conhecer um pouco mais, dessa que foi o maior ícone das punhetas e siriricas mal batidas de um Brasil que ainda não conhecia o xvídeos e o porntube? Para quem não faz a mínima ideia de quem seja Emmanuelle, vamos começar com o básico.

A personagem nasceu em 1969, vivida pela atriz Erika Blanc no filme Io, Emmanuelle, uma produção francesa que tentou mas falhou em adaptar o livro The Joys Of A Woman para os cinemas. O resultado foi um tremendo softcore, que na época era um estilo de pornografia ainda dando seus primeiros passos, e chamou alguma atenção por trazer a “sensualidade” para as telonas do cinema. Erika nunca mais reviveu a personagem, mas ficou marcada para sempre.

Erika Blanc não era tão ruim. Pega fácil até hoje.

Erika Blanc não era tão ruim. Pega fácil até hoje.

Emmanuelle só voltou para os cinemas em 1974, e dessa vez causou um estrago feio nas bilheterias francesas. O filme em si era bem mais forte, com cenas de masturbação, sexo explícito e até estupro. A bola da vez foi a atriz Sylvia Kristel, que deu vida uma Emmanuelle bem mais solta e “dada”. Sylvia se tornou a maior interprete da personagem e marcou toda a sua carreira, só parando de interpretar em 1980, com direito a uma “voltinha as telas” em 1992 para “fechar com chave de buceta Ouro”sua participação na história da obra de Emmanuelle.

O rosto que você conhece como Emmanuelle. E ela nem era tão boa de corpo assim.

O rosto que você conhece como Emmanuelle. E ela nem era tão boa de corpo assim.

De 1969 a 2012, Emmanuelle foi interpretada por várias atrizes e marcou quase 50 anos de pornografia, indo da França para os EUA com várias escalas, sendo uma delas o próprio espaço – hauhauahua… eu me mijo de rir quando lembro disso. Pois é, Emmanuelle in Space foi uma série de ficção científica onde a personagem, vivida pela iniciante Krista Allen, encontra alienígenas e acaba os ensinando os “caminhos da sexualidade”. Talvez essa série tenha sido umas das mais bizarras, porque o foco era criar uma história com moral. Porém como também tivemos Emmanuelle Private Collection: The Sex Lives of Ghosts, não sei bem dizer o que é ou não “bizarro” para essa grande personagem que habita nossos corações e lembranças.

Sim, você conhece a Krista Allen de outros papeis.

Sim, você conhece a Krista Allen de outros papeis.

Alguns filmes não era “autorizados” pelos donos da marca Emmanuelle, e por isso tinham o segundo “m” retirado. A série mais marcante desses filmes “piratas” foi Black Emmanuelle, onde a personagem foi vivida pela atriz Laura Gemser, que não era italiana e bem pouco “black”. Infelizmente não lembro de ter visto algum filme dessa série, mas eles tem bastantes links em torrents poucos confiáveis. Fica pela sua conta e risco tentar achar algo.

Onde essa mulher é negra? Indiana tudo bem, mas negra não.

Onde essa mulher é negra? Indiana tudo bem, mas negra não.

Era foda passar o sábado todo esperando pela madrugada. Eu tinha acabado de descobrir o que era masturbação e a Rede Bandeirantes de Televisão com seu Cine Privé, havia me presenteado com Emmanuelle. Os filmes eram bem fracos e a gente já se dava por satisfeito de ver uma ou outra pepeka bem cabeluda. As cenas de sexo eram tão rápidas, que mesmo sendo apenas um adolescente cheio de hormônios, eu precisava me concentrar muito para gozar. A parte mais complicada mesmo era conseguir ver os filmes sem acordar a casa toda. Só tínhamos televisão na sala e o volume dela era 8 ou 80, ficando baixo demais para entender a história contada no filme, ou alto demais para ouvir os gemidos que apareciam.

Emmanuelle foi minha primeira paixão, e até hoje me dá tesão. Claro que nem sou maluco de rever os filmes, porque sei que vai estragar a memória que tenho, mas… bem, é sempre bom lembrar dessa que foi o alvo de tantas punhetas batidas com medo de ser flagrado.

Como sou legal, vou deixar uma listinha dos filmes para vocês darem uma olhada e, se quiserem, se arriscarem a tentar baixar 😉

 

Desde pequeno, “O crítico” é visto como um cara chato por aqueles que o conhecem. Sempre procurando analisar e desenvolver teorias, era um dos poucos adolescente que não se masturbava vendo filmes pornô. O Crítico batia punheta lendo as colunas de crítica do Rubens Ewald Filho.

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